Díos te Bendiga – Cruzando a Fronteira: Venezuela x Colômbia

A burocracia da saída do país foi a mesma para poder entrar: apresentar os passaportes e a licença para dirigir na Venezuela, assim como todas as demais documentações que o Júnior já citou no post dos documentos necessários. Recebemos o carimbo de saída do país, pagamos o imposto para isso (90 bolívares por pessoa) e em menos de 10 minutos já estávamos na fronteira da Colômbia, um lugar muito mais agitado que Santa Elena. Parecia uma feira aberta em plena rodovia com muitos carros velhos misturados a carros novos, barracas, vendedores ambulantes, motos e bicicletas, policiais, militares do exército e o pior de tudo, uma orquestra de buzinas que não paravam. Eles definitivamente gostam de buzinar! No departamento colombiano apresentamos os passaportes e o comprovante do pagamento do imposto venezuelano. Entreguei primeiro o passaporte do Jacob e o funcionário falou: “Não parece nada com você”. Na mesma hora respondi: “Pertence a ele (apontando para o Jacob). O meu é o de baixo, sou mais bonita”. O gelo foi quebrado e o funcionário fez uma cara muito engraçada. Todos nós caímos na gargalhada. Feito isso, e já com o carimbo de entrada da Colômbia pronto, fomos em busca da autorização colombiana para dirigir. Na entrada do departamento encontramos Eva, uma senhora que estava do lado de um dos guardinhas com quem tentávamos obter informações. Percebendo que éramos brasileiros logo quis ajudar. Ela nos contou que era fã do cantor Gustavo Lima e que havia morado em Boa Vista alguns anos atrás. Quando dissemos que era de lá que estávamos viajando e que também morávamos, esta mulher só faltou pular de alegria. Prontamente nos direcionou para onde deveríamos ir e o que fazer. E como precisávamos sacar dinheiro colombiano perguntamos onde poderíamos fazer isso. Ela nos contou que não tinha como sacar dinheiro na fronteira porque não havia banco e nem caixa eletrônico. A única solução de viajar com pesos colombianos era trocar os bolívares que trazíamos da Venezuela. Aí surgiu um grande problema: A moeda venezuelana é muito mais desvalorizada frente ao peso colombiano que ao real. Nenhum de nós tínhamos bolívares o suficiente para entrar na Colômbia, pagar pedágio e comer. Eva nos levou até um cambista, um amigo que tinha uma barraquinha de guloseimas perto do posto policial, e ele nos ensinou a fazer o câmbio e foi assim que percebemos que nossos poucos bolívares não iriam passar de cinco reais em peso colombiano. Foi aqui que a Eva se preocupou com a gente viajando sem dinheiro e resolveu nos presentear com 50.000 COP, que basicamente também vale R$ 50,00. Esse dinheiro seria suficiente pra gente pagar os pedágios e chegar a Santa Marta sem problemas na estrada. Eva é uma mulher com temperamento sanguíneo, estava muito maquiada, usava unhas grandes e pintadas ao estilo colombiano, de botas, calça jeans e chapéu panamenho vermelho. Usava um perfume muito cheiroso e uma bolsa de tecido. Falava com todos que passavam por perto dela, parecia uma entidade política! Ela ficou tão eufórica com nossa presença que nos apresentou a outros três amigos e ainda ligou para o marido, que tem comércio em Bogotá, para nos dar assistência, caso fosse necessário. Como precisávamos partir, nos despedimos de Eva e seus amigos, trocamos email, facebook, abraços  e agradecemos toda a ajuda que nos foi dada com um “Díos te bendiga”.

Fronteira da Colômbia

Há uns 5km da fronteira fomos parados pelos militares da guarda nacional. Um rapaz jovem, de altura mediana, moreno, de olhos claros e sem nenhuma expressão de amizade no rosto pediu nossas identificações. Quando percebeu que éramos brasileiros fez perguntas sobre a viagem. Dissemos que era a primeira vez que estávamos na Colômbia mas que já conhecíamos as belezas do país por outros relatos e fotos de internet. Ele perguntou pelo Brasil, com ênfase no Rio de Janeiro, disse que conhece o nosso país pela internet e que acha um lugar muito lindo. Conversou o suficiente para ser convencido de que nós éramos apenas quatro jovens curiosos pelo país dele assim como ele é do nosso. Entregou os passaportes e disse com um sorriso nos lábios: “Cuidado! O perigo de conhecer a Colômbia é não querer mais voltar”. Rimos porque conhecemos esta frase. Daí ele concluiu a parada se afastando da gente e acenando com as mãos dizendo a seguinte frase: “Boa viagem. Díos te bendiga”.

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3 pensamentos sobre “Díos te Bendiga – Cruzando a Fronteira: Venezuela x Colômbia

  1. Olá, gostei muito do post.
    Não conheço vcs pessoalmente, mas temos amigos em comum, Shirley Fernandes e Cris Leite, que sempre falam do gosto que temos em comun, conhecer o mundo.
    Bem, quando fui para o Peru peguei muitas informações do blog de vcs, como já vinha pensando em ir para a Colômbia vou curtir a viagem com vcs! Boa viagem! Díos te bendiga!

    • Olá, Tiago!
      Sim!!! Temos 16 amigos em comum hahahaha
      Obrigado pelo comentário. Fico feliz quando recebo os recadinhos de cada um que já escreveram aqui. E fico muito mais satisfeita quando sei que este blog está servindo pra alguma coisa além de satisfazer a minha vontade em compartilhar as emoções das nossas férias! Quem sabe não podemos esticar as informações, e trocar experiências, pessoalmente também? Eu topo, rs. E que Díos te bendiga, rs 😉

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