Cartagena de Indias – 3° Dia Castelo de San Felipe de Barajas

Considerado a maior obra militar espanhola no mundo, o Castelo de San Felipe de Barajas teve um papel muito importante na história das guerras locais e hoje é um dos pontos turísticos mais visitados em Cartagena de Indias.

Passamos um bom tempo percorrendo cada cantinho daquele castelo. Conhecemos as guaritas, a residência dos oficiais, as cozinhas, as galerias subterrâneas, os armazéns de pólvora e as poderosas artilharias. Sem sombra de dúvidas é um passeio perfeito para que gosta de ouvir e conhecer o palco de histórias fascinantes e cheias de aventuras. Algumas fotos pra vocês:

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Cartagena de Indias – 1° Dia Centro Histórico

“Uaaaau, que linda!” foi a primeira impressão que tivemos de Cartagena. Entramos na cidade a noitinha e as luzes do Castelo de San Felipe de Barajas já estavam acesas deixando qualquer turista babando pelas imagens que se formavam. Cartagena foi fundada em 1533 como um porto no mar do Caribe e nos séculos XVII e XVIII foi fortemente protegida, contra os diversos ataques de piratas, corsários e exércitos, por uma muralha, hoje conhecida como Cidade Amuralhada. É uma cidade mesmo, gente! Tem hotéis, bancos, restaurantes, comércio diversificado, praças, ruas estreitas ao estilo da época e muito mais. Com o passar do tempo a cidade foi crescendo nos arredores da muralha e tornou-se uma baita capital com mais de 1 milhão de habitantes. Suas praias ganharam fama e estrutura para agradar todo tipo de turista. Como já tínhamos lido que os hotéis dentro da Cidade Amuralhada (centro histórico) eram caros a dica que seguimos foi procurar por hotéis em  Bocagrande, uma praia vizinha cerca de cinco minutos de carro. Bocagrande também é linda, não tem um mar azul como as ilhas que conhecemos, mas é uma orla super agitada. O bairro é bem turístico e agradável de ficar. Outra coisa que nos impressionou, não só em Cartagena como em toda a Colômbia, foi a presença maciça de policiais, homens e mulheres sempre gentis e educados, prontos a prestar qualquer ajuda. Aliás, esta não foi uma característica apenas dos policiais, os colombianos, no geral, deram um show de receptividade.

O primeiro dia foi para conhecer a Cidade Amuralhada. Caminhamos por horas naquele lugar, visitamos as praças, passeamos pelas ruas estreitas com casinhas coladas uma nas outras pintadas com cores fortes e vibrantes cheias de varandinhas e balcões de madeiras, apreciamos aquela arquitetura tão antiga, mas que continua linda até hoje, almoçamos na Praça de Santo Domingo onde existem vários restaurantes e uma escultura de Fernando Botero, a Gertrudes, e nos divertimos com as danças típicas colombianas que são apresentadas em praças públicas. A tardinha caminhamos em cima da muralha a esperamos o famoso por do sol com vista para o mar. Foi um dia muito agradável! A noite voltamos a Cidade Amuralhada para contemplar aquela belezura cheia de luzes amarelas nas diversas luminárias que se espalham pelo centro histórico. É indescritível a sensação de poder contemplar aquilo tudo… hoje só nos restam as fotos para recordar com saudades cada pedacinho daquele “Paraíso Amuralhado”.

Importante lembrar que existem vários meios para conhecer a Cidade Amuralhada. Uns preferem as pernas, que foi o nosso caso, outros alugam bicicleta e até mesmo carruagens, que era um meio de transporte bem comum daquela época. Nós não curtimos muito a ideia do passeio de carruagem, tivemos dó dos cavalinhos, hehe. Ah! Vale registrar que a muralha tem 10km de extensão e diversos “becos” para percorrer. Os carros só transitam por alguns lugares, então se não estiver disposto a caminhar, tem que pedalar ou desembolsar uns 70 reias pela carruagem com espaço para quatro pessoas! Abaixo algumas fotos para que vocês visualizem tudo que conhecemos e se animem a conhecer também. Porque Cartagena de Indias todos deveriam conhecer! 😉

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Santa Marta e Parque Tayrona

Santa Marta

Santa Marta estava inundada quando chegamos. Tinha caído um temporal que a deixou parecida com uma cidade fantasma, somente víamos nas ruas os taxistas e os policiais. Talvez por causa disso tivemos dificuldades para encontrar hotel. Sabíamos que o lugar certo era o centro histórico, mas encontrá-lo estava difícil. Parando para pedir informações encontramos um senhorzinho baixinho e franzino usando botas de PVC – porque a chuva formou uma verdadeira lagoa e lá, não sei por qual motivo, não tem sistema de escoamento de água nas ruas – que “prontamente” se ofereceu para nos levar até alguns hotéis. Ele saiu correndo feito louco pelas ruas estreitas e alagadas pedindo para que o seguíssemos. Depois de algumas tentativas, e corridinhas do tio, encontramos uma gracinha de hotel no tal centro histórico de Santa Marta. Cansado de tanto correr o tiozinho falou: “Desculpa, já tenho 60 anos e não consigo correr mais rápido”. Não sabe ele que dá de dez a zero em mim, rs.  Agradecemos e pagamos pelo serviço prestado.

Centro Histórico de Santa Marta

No outro dia fomos conhecer a cidade caminhando e descobrimos que ficamos hospedados em um excelente ponto. Também descobrimos que a cidade estava lotada de turistas e que a chuva do dia anterior tinha sido responsável pelo sumiço da agitada vida noturna que ela oferece. Durante as caminhadas conhecemos a orla de santa Marta, com suas praias de águas transparentes e areias cinza, percorremos ruas por ruas, que ainda estavam alagadas pela chuva, e fizemos muitas fotos dos prédios que ainda conservam a arquitetura do século XVI adaptada a um toque de cores fortes e vibrantes.  Por ser uma das povoações mais velhas no continente sul-americanos, muito turistas visitam Santa Marta e aproveitam para conhecer outras cidades aos redores, como por exemplo, o Parque Tayrona e Cartagena. Como já estávamos de saída pra Cartagena, fizemos um bate e volta no parque.

O Parque Tayrona está a 30 minutinhos de carro de Santa Marta no sentido da fronteira com a VE.  A entrada custou 17.000 COP por pessoa e 18.000 COP pelo carro. Subimos uns 3 km para estacionar e começar a caminhada até as praias, outros já começavam a caminhada na entrada mesmo. Assim que estacionamos o carro fomos abordados por um dos guias locais. Ele ofereceu o aluguel de cavalos, mas nós queríamos mesmo era a caminhada. Este atrativo não é um tour de conforto. Quem não curte caminhar, fazer trilha, suar e cansar as canelas subindo e descendo escadas e pedras, sujando as mãos e os pés de lama não deve nem pensar em ir. Vai ser um desastre, mesmo sendo uma trilha de nível fácil!

Trilha

O parque é muito sinalizado e limpo. Existem cordas de apoio, pontes e trilhas de madeiras pelo caminho. É quase impossível alguém se perder naquele lugar. Até mesmo porque o fluxo de turista é tão grande que a todo tempo a gente esbarra em alguém no caminho. O Tayrona é uma reserva muito procurada para fazer camping, a galera vai de mala e cuia pra lá. Gente de todo lugar do mundo e de todas as idades. Durante a trilha cruzamos com muitos tios de mochilas nas costas prontos pra aventurar dentro daquela floresta. A caminhada durou em torno de uma hora pra ir e mais uma hora pra voltar. Pelo caminho as paisagens foram registradas na mente e na máquina, é claro! Rs. Definitivamente é um passeio pra quem curte o estilo.

As praias mais lindas do Tayrona são proibidas para os banhistas por se tratar de um mar “traiçoeiro”. Existem inúmeras placas avisando os recentes afogamentos naquela região. Nessas praias só rolou fotos, rs! Mais adiante percorrendo a beira mar, cruzamos um rio com águas na canela e na cintura, e lá encontramos outras praias que eram próprias para os banhistas. Nesse intervalo entre uma praia e outra fizemos amizade com um casal de colombianos, Joana e Damion. Eles foram super simpáticos com a gente, trocaram telefones e se dispuseram para ser nosso guia na cidade de Medellín, onde moram e para onde iremos depois de Cartagena. Pessoas maravilhosas temos encontrado na Colômbia. E como a Natália já diz, ser brasileiro na Colômbia é status, rs! Tivemos um gostoso papo com este casal e regressamos. A caminhada de volta abriu um baita apetite na gente, já que a única coisa que havíamos comido era um pão com refrigerante na padaria improvisada (uma caixa de isopor) do Parque Tayrona. Hummm! Tava delicioso o pão com recheio de chocolates! Famintos e podres de sujos, fomos ao shopping matar quem tava nos matando. Próxima parada: Cartagena! Inté mais vê ;).

Díos te Bendiga – Cruzando a Fronteira: Venezuela x Colômbia

A burocracia da saída do país foi a mesma para poder entrar: apresentar os passaportes e a licença para dirigir na Venezuela, assim como todas as demais documentações que o Júnior já citou no post dos documentos necessários. Recebemos o carimbo de saída do país, pagamos o imposto para isso (90 bolívares por pessoa) e em menos de 10 minutos já estávamos na fronteira da Colômbia, um lugar muito mais agitado que Santa Elena. Parecia uma feira aberta em plena rodovia com muitos carros velhos misturados a carros novos, barracas, vendedores ambulantes, motos e bicicletas, policiais, militares do exército e o pior de tudo, uma orquestra de buzinas que não paravam. Eles definitivamente gostam de buzinar! No departamento colombiano apresentamos os passaportes e o comprovante do pagamento do imposto venezuelano. Entreguei primeiro o passaporte do Jacob e o funcionário falou: “Não parece nada com você”. Na mesma hora respondi: “Pertence a ele (apontando para o Jacob). O meu é o de baixo, sou mais bonita”. O gelo foi quebrado e o funcionário fez uma cara muito engraçada. Todos nós caímos na gargalhada. Feito isso, e já com o carimbo de entrada da Colômbia pronto, fomos em busca da autorização colombiana para dirigir. Na entrada do departamento encontramos Eva, uma senhora que estava do lado de um dos guardinhas com quem tentávamos obter informações. Percebendo que éramos brasileiros logo quis ajudar. Ela nos contou que era fã do cantor Gustavo Lima e que havia morado em Boa Vista alguns anos atrás. Quando dissemos que era de lá que estávamos viajando e que também morávamos, esta mulher só faltou pular de alegria. Prontamente nos direcionou para onde deveríamos ir e o que fazer. E como precisávamos sacar dinheiro colombiano perguntamos onde poderíamos fazer isso. Ela nos contou que não tinha como sacar dinheiro na fronteira porque não havia banco e nem caixa eletrônico. A única solução de viajar com pesos colombianos era trocar os bolívares que trazíamos da Venezuela. Aí surgiu um grande problema: A moeda venezuelana é muito mais desvalorizada frente ao peso colombiano que ao real. Nenhum de nós tínhamos bolívares o suficiente para entrar na Colômbia, pagar pedágio e comer. Eva nos levou até um cambista, um amigo que tinha uma barraquinha de guloseimas perto do posto policial, e ele nos ensinou a fazer o câmbio e foi assim que percebemos que nossos poucos bolívares não iriam passar de cinco reais em peso colombiano. Foi aqui que a Eva se preocupou com a gente viajando sem dinheiro e resolveu nos presentear com 50.000 COP, que basicamente também vale R$ 50,00. Esse dinheiro seria suficiente pra gente pagar os pedágios e chegar a Santa Marta sem problemas na estrada. Eva é uma mulher com temperamento sanguíneo, estava muito maquiada, usava unhas grandes e pintadas ao estilo colombiano, de botas, calça jeans e chapéu panamenho vermelho. Usava um perfume muito cheiroso e uma bolsa de tecido. Falava com todos que passavam por perto dela, parecia uma entidade política! Ela ficou tão eufórica com nossa presença que nos apresentou a outros três amigos e ainda ligou para o marido, que tem comércio em Bogotá, para nos dar assistência, caso fosse necessário. Como precisávamos partir, nos despedimos de Eva e seus amigos, trocamos email, facebook, abraços  e agradecemos toda a ajuda que nos foi dada com um “Díos te bendiga”.

Fronteira da Colômbia

Há uns 5km da fronteira fomos parados pelos militares da guarda nacional. Um rapaz jovem, de altura mediana, moreno, de olhos claros e sem nenhuma expressão de amizade no rosto pediu nossas identificações. Quando percebeu que éramos brasileiros fez perguntas sobre a viagem. Dissemos que era a primeira vez que estávamos na Colômbia mas que já conhecíamos as belezas do país por outros relatos e fotos de internet. Ele perguntou pelo Brasil, com ênfase no Rio de Janeiro, disse que conhece o nosso país pela internet e que acha um lugar muito lindo. Conversou o suficiente para ser convencido de que nós éramos apenas quatro jovens curiosos pelo país dele assim como ele é do nosso. Entregou os passaportes e disse com um sorriso nos lábios: “Cuidado! O perigo de conhecer a Colômbia é não querer mais voltar”. Rimos porque conhecemos esta frase. Daí ele concluiu a parada se afastando da gente e acenando com as mãos dizendo a seguinte frase: “Boa viagem. Díos te bendiga”.