Οδύσσεια Final – Homem Farejador de Drogas

Οδύσσεια

Conseguimos sair de San Juan de los Morros e chegar ainda de dia em Puerto Ordaz, graças Deus com bastante gasolina no tanque dessa vez! 😛 Foi um trecho bem tranquilo, com estradas excelentes e paradas de controle menos agressiva. Ficamos hospedados no mesmo hotel quando iniciamos a trip saindo de Boa Vista e a noite fomos comer uma deliciosa massa no shopping! Não víamos a hora de chegar em casa, estar em Puerto Ordaz era como estar no quintal de casa, separados por apenas 800 km do nosso lindo e maravilhoso país, rs. 🙂

Mas como ainda éramos estrangeiros em terras desconhecidas, faltava a última e famosa parada que fica a 1h de Santa Elena. Lá é obrigatório descer para apresentar os passaportes e registrar o nome em um livro (ata?) juntamente com a profissão de cada um; fizemos este mesmo procedimento na ida também. Quando eles perceberam que a gente não estava vindo da Ilha de Margarita ou Puerto la Cruz, rota turística mais procurada pelos brasileiros, e identificaram nos nossos passaportes o carimbo colombiano a coisa mudou de tratamento, resolveram fazer aquela velha e longa revista nas nossas coisas. Tinha um superior que dava ordens a outros dois e um outro que não levantava da cadeira em frente ao livro de controle. Este superior pediu para que abríssemos tudo, mas tudo mesmo; a diferença deste ponto para os outros que passamos foi a exigência deste superior ordenando que a gente acompanhasse o “trabalho” dos subordinados dele. Quando a gente deixava os soldados sozinhos ele gritava: “Olhe com ele, acompanhe o serviço”, com cara de brabo, rs. Fizeram tudo que vocês possam imaginar nas nossas mochilas, reviraram tudo, cutucaram tudo… A gente já tava tão encaliçado daquele tratamento que por vezes dava até vontade de rir de certas coisas… Ficar com raiva ou querer exigir direitos (que direitos? haha) era em vão! Tínhamos mesmo era que curtir até aquilo ali pois sabíamos que nossa fronteira estava a 1h de viagem! Quando cruzamos a fronteira do Uruguai com a Argentina (via ferry) e da Argentina com o Chile (via bus), também passamos pelo controle de imigração, existiam detectores de metais, máquina de raio-x e um cão farejador, que na nossa frente os policiais faziam uso dos três. Em momento algum nossas mochilas foram abertas, expondo a nossa privacidade, já na VE o detector de metal era as mãos dos guardas fruticando nossas mochilas e o cão farejador era os próprios narizes deles! Gente, eu tive que me conter pra não rir quando vi o policial “farejando” nossas mochilas, o banco, a porta, o painel do carro. Que cena engraçada e lamentável! Passaram um tempinho considerado “cheirando” nossas coisas. De repente chegou um bus no sentido Manaus/Puerto la Cruz e eles acabaram  liberando a gente pra poder atacar os outros, saímos dali sem nenhum problema e já sentindo o gostinho da comida do Alfredos em Santa Elena, rs. No SINEAT nós carimbamos a saída nos passaportes, entregamos a licença pra dirigir na VE e seguimos pra Boa Vista. Chegamos em casa perto das 19h e a sensação que eu tive ao cruzar com um policial militar na rua foi: “Ufa! Este aqui é um dos nossos, não precisamos mostrar documentos nem ter medo de cobrança de multa injusta”! haha

Esta foi a nossa experiência de chegar até a Colômbia de carro, viajando quase 8 mil quilômetros! Durante as lembranças farei algumas considerações importantes em outros posts. Obrigado por nos acompanhar e fazer deste blog uma interação entre os apaixonados por uma aventura! Até a próxima viagem 😉

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Díos te Bendiga – Cruzando a Fronteira: Venezuela x Colômbia

A burocracia da saída do país foi a mesma para poder entrar: apresentar os passaportes e a licença para dirigir na Venezuela, assim como todas as demais documentações que o Júnior já citou no post dos documentos necessários. Recebemos o carimbo de saída do país, pagamos o imposto para isso (90 bolívares por pessoa) e em menos de 10 minutos já estávamos na fronteira da Colômbia, um lugar muito mais agitado que Santa Elena. Parecia uma feira aberta em plena rodovia com muitos carros velhos misturados a carros novos, barracas, vendedores ambulantes, motos e bicicletas, policiais, militares do exército e o pior de tudo, uma orquestra de buzinas que não paravam. Eles definitivamente gostam de buzinar! No departamento colombiano apresentamos os passaportes e o comprovante do pagamento do imposto venezuelano. Entreguei primeiro o passaporte do Jacob e o funcionário falou: “Não parece nada com você”. Na mesma hora respondi: “Pertence a ele (apontando para o Jacob). O meu é o de baixo, sou mais bonita”. O gelo foi quebrado e o funcionário fez uma cara muito engraçada. Todos nós caímos na gargalhada. Feito isso, e já com o carimbo de entrada da Colômbia pronto, fomos em busca da autorização colombiana para dirigir. Na entrada do departamento encontramos Eva, uma senhora que estava do lado de um dos guardinhas com quem tentávamos obter informações. Percebendo que éramos brasileiros logo quis ajudar. Ela nos contou que era fã do cantor Gustavo Lima e que havia morado em Boa Vista alguns anos atrás. Quando dissemos que era de lá que estávamos viajando e que também morávamos, esta mulher só faltou pular de alegria. Prontamente nos direcionou para onde deveríamos ir e o que fazer. E como precisávamos sacar dinheiro colombiano perguntamos onde poderíamos fazer isso. Ela nos contou que não tinha como sacar dinheiro na fronteira porque não havia banco e nem caixa eletrônico. A única solução de viajar com pesos colombianos era trocar os bolívares que trazíamos da Venezuela. Aí surgiu um grande problema: A moeda venezuelana é muito mais desvalorizada frente ao peso colombiano que ao real. Nenhum de nós tínhamos bolívares o suficiente para entrar na Colômbia, pagar pedágio e comer. Eva nos levou até um cambista, um amigo que tinha uma barraquinha de guloseimas perto do posto policial, e ele nos ensinou a fazer o câmbio e foi assim que percebemos que nossos poucos bolívares não iriam passar de cinco reais em peso colombiano. Foi aqui que a Eva se preocupou com a gente viajando sem dinheiro e resolveu nos presentear com 50.000 COP, que basicamente também vale R$ 50,00. Esse dinheiro seria suficiente pra gente pagar os pedágios e chegar a Santa Marta sem problemas na estrada. Eva é uma mulher com temperamento sanguíneo, estava muito maquiada, usava unhas grandes e pintadas ao estilo colombiano, de botas, calça jeans e chapéu panamenho vermelho. Usava um perfume muito cheiroso e uma bolsa de tecido. Falava com todos que passavam por perto dela, parecia uma entidade política! Ela ficou tão eufórica com nossa presença que nos apresentou a outros três amigos e ainda ligou para o marido, que tem comércio em Bogotá, para nos dar assistência, caso fosse necessário. Como precisávamos partir, nos despedimos de Eva e seus amigos, trocamos email, facebook, abraços  e agradecemos toda a ajuda que nos foi dada com um “Díos te bendiga”.

Fronteira da Colômbia

Há uns 5km da fronteira fomos parados pelos militares da guarda nacional. Um rapaz jovem, de altura mediana, moreno, de olhos claros e sem nenhuma expressão de amizade no rosto pediu nossas identificações. Quando percebeu que éramos brasileiros fez perguntas sobre a viagem. Dissemos que era a primeira vez que estávamos na Colômbia mas que já conhecíamos as belezas do país por outros relatos e fotos de internet. Ele perguntou pelo Brasil, com ênfase no Rio de Janeiro, disse que conhece o nosso país pela internet e que acha um lugar muito lindo. Conversou o suficiente para ser convencido de que nós éramos apenas quatro jovens curiosos pelo país dele assim como ele é do nosso. Entregou os passaportes e disse com um sorriso nos lábios: “Cuidado! O perigo de conhecer a Colômbia é não querer mais voltar”. Rimos porque conhecemos esta frase. Daí ele concluiu a parada se afastando da gente e acenando com as mãos dizendo a seguinte frase: “Boa viagem. Díos te bendiga”.

San Juan de los Morros a Chichiriviche

Cayo de Sal

Esse foi o nosso terceiro dia na estrada. A idéia inicial era seguir direto até Maracaibo, mas quando vimos que no caminho havia o Parque Nacional de Morrocoy decidimos que valeria a pena fazer uma paradinha. No hotel foi sugerido um passeio até uma ilha bem próxima, chamada Cayo de Sal, onde também iríamos almoçar. Deixamos as mochilas no quarto, colocamos nossas roupitchas de praia e seguimos até a orla da cidade. Assim que o Júnior estacionou o carro surgiram vários “guias” oferecendo os serviços de transporte até a ilha. A orla estava repleta de lanchas e barcos atracados, o que faltava naquela ocasião eram mesmo os turistas, rs. Imaginamos que aquele lugar deve ser bem visitado nos períodos de férias e verão, até mesmo porque a cidade estava deserta. Lojas fechadas, hotéis vazios e ilhas sem muita gente.

A distância até Cayo de Sal durou 10 minutinhos mar adentro. O tio da lancha deixou a gente lá e combinou de voltar as 17h para nos buscar. A primeira impressão que a gente tem do lugar é fascinante. Realmente a ilha deixa qualquer um de boca aberta. Particularmente, eu nunca tinha visto água de mar tão linda fora da internet, rs. Tivemos uma tarde muito agradável. Comemos um peixe frito com tóston (tiras de bananas verdes fritas) e água de coco tirada do coqueiro naquele instante! Poder mergulhar naquelas águas é sensacional, mas ficar sentada na areia contemplando aquela imensidão de águas coloridas também e demais.

Padoca do Sr. José, o portuga

Conforme havíamos combinado com o tio, saímos de Cayo de Sal as 17h. Voltamos para o hotel e logo em seguida caiu um toró! Muita chuva mesmo. A preguicinha tava tão grande que nem demos conta que a hora estava passando e os poucos pontos comerciais que estavam abertos começaram a fechar. Quando a fome já estava gritando decidimos sair à procura de uma padoca! Hunf… A gente “se lascou-se” hahaha. Quase tudo fechado. Por sorte um comércio estava fechando e decidiu atender a gente mesmo assim. Papo vai e papo vem, descobrimos que seu José, dono do comércio, era português e morava em Chichiriviche há mais de 40 anos. Um senhor muito simpático. Ele também era proprietário de uma pousada e perguntou onde estávamos hospedados. Quando dissemos que era no Hotel Mario ele retrucou: “É o mais caro”! – Bom… A gente não tinha dúvidas disso porque o hotel era enorme, com piscina, restaurante, estacionamento, lojas e salão de festa com palco. Os corredores eram enormes e os quartos estavam todos com as portas abertas em manutenção. Certa vez quando entregávamos as chaves para poder sair, percebi que só havia alguns nichos sem chaves, pelo menos uns dois quartos estavam ocupados: o nosso e um outro hóspede qualquer, rs – Batemos alguns minutos de papinho com Sr. José e logo retornamos para casa. Na calçada, debaixo daquele temporal a Natália ainda fez amizade com um cachorrinho, o qual foi batizado de Barbitúrico! No hotel capotamos num descanso profundo.

Cayo Sombrero

No dia seguinte fomos conhecer o tal Cayo Sombrero. Gente, o lugar é fantástico! Uma ilhazinha linda no meio do mar. Esta fica um pouquinho mais longe da cidade. É uma das rotas mais visitadas pelos turistas que param para conhecer o parque. Passamos a manhã toda naquele paraíso, o que rendeu muitas fotos maravilhosas! Próximo ao meio dia voltamos para o hotel, almoçamos e seguimos viagem. Dessa vez nosso objetivo era chegar a Maracaibo. Inté mais vê! 😉

Puerto Ordaz a San Juan de los Morros

Comida japonesa

Chegamos super bem a Puerto Ordaz. Graças a Deus não tivemos nenhum imprevisto – até mesmo com as incontáveis paradas dos militares venezuelanos que já são figurinhas carimbadas das viagens e relatos dos brasileiros quando vão a Venezuela. Por lá ficamos hospedados num hotel que o Júnior já conhecia e isso foi ótimo. Uma referência é sempre um bom motivo para não perdermos tempo procurando onde dormir! A noite decidimos jantar comida japonesa! Hummmm… Tava uma delícia! Melhor ainda foi o valor da conta. Super barato! Em Boa Vista eu teria comido um cachorro quente no Derez, mas em Puerto Ordaz comi sushi até dizer basta 😀 ! Depois de matar quem estava nos matando, hora de descansar e recarregar as baterias para podermos seguir viagem novamente. Como o hotel oferecia o café da manhã, por lá mesmo comemos e seguimos em direção a San Juan de los Morros.

Gasolina a R$ 0,03 o litro

San Juan de Los Morros foi o nosso segundo maior trecho. Por isso tivemos que sair cedinho de Puerto Ordaz e seguir viagem. Abastecemos – é até engraçado saber que 1 litro de gasolina na Venezuela custa R$ 0,03 e com R$ 0,70 um tanque é cheio – e pegamos a estrada novamente. Como passei muito mal na primeira viagem, a Nati recomendou que eu comprasse um medicamento que resolvesse o problema dos enjoos. Foi a melhor coisa que já tomei pra aliviar a agonia de passar horas e horas dentro de um carro subindo e descendo serras, rs.

Problema resolvido 😉

A estrada entre Puerto Ordaz e San Juan de los Morros estava uma seda. Viagem super tranquila, mas também com muitas outras paradas para apresentação dos documentos. Finalmente conseguimos chegar a San Juan e alugar um quarto para pernoitarmos. A princípio percebemos que se tratava de uma cidade onde havia muitos brasileiros estudando, principalmente o curso de medicina. Jantamos e capotamos num sono restaurador. O despertador já havia sido programado para acordarmos cedinho e assim seguir viagem até Maracaibo. Afinal de contas ainda temos muitos quilômetros para contar! Não deixe de nos acompanhar nas próximas postagens 😉 .

Boa Vista a Puerto Ordaz

E o grande dia chegou! Marcamos para sair de Boa Vista às 5:30 da manhã. Quem conhece a gente sabe que isso NUNCA iria acontecer né, Natália e Júnior? Rs. Bom, deixando os atrasos de lado, saímos as 7:00 e conseguimos chegar até Santa Elena (cidade fronteira com a Venezuela) as 9:00. Prosseguimos conforme ditam as regras da imigração, tanto brasileira como venezuelana, porém o órgão venezuelano estava fechado e por isso tivemos mais um pequeno atraso. Sendo assim, fomos tomar café da manhã na famosa padaria de Santa Elena. Dado o horário, voltamos pra receber todos os carimbos possíveis e seguir viagem.  Próximo ao meio dia, paramos num ponto onde havia um pequeno e simples restaurante e um posto de gasolina. Perfeito! Conseguimos fazer as duas coisas no mesmo lugar: Comer e abastecer! Acreditem se quiser, mas o Júnior encheu o tanque do carro por apenas 3 bolívares, ou seja, algo em torno de R$ 0,55! Daquele ponto em diante sabíamos que nossa próxima parada seria Puerto Ordaz! Até lá, então! 😀